A polêmica que leva o pensar, pode mudar a ação!


Ainda refletindo a respeito do vídeo que tomou uma proporção gigantesca na rede. 

Está tudo errado mesmo. Famílias e escolas desestruturadas. Uma sociedade doente. Um índice altíssimo de violência. Um caos educacional e pedagógico. Entretanto, é a hora de buscarmoscuidado_escola_8 caminhos para amenizar o caos. Todos os indivíduos têm a sua parcela de responsabilidade sim. Na minha opinião os professores podem tudo! Não me refiro a leis, mas temos em mãos o poder de canalizar as energias para o bem. Hoje necessitamos do professor ser humano: que inspira, estimula, encoraja. Quem aqui não tem lembranças de professores marcantes? As marcas positivas e negativas ficam dentro de cada um de nós. Não precisamos de professores que simplesmente transmitam conhecimento, pois estes estão em toda parte. Se a postura dos professores é se vitimizar, é encarar crianças como sem solução, é julgar sem conhecimento de causa, é lamentar e se acomodar na mesmice, estamos fadados a criar mais gerações igualmente vitimistas e acomodadas, violentas e revoltadas.

Li inúmeros comentários do que já virou clichê: “Família Educa, professor ensina.” Então pensei….

Se o papel do professor é só ensinar, seria ensinar o quê? Os conhecimentos e conteúdos estão em toda parte e, em um clique, temos acesso a eles. Segundo o raciocínio que professor só ensina podem ser trocados por computadores? Para que existe o espaço escolar?

Será que a LDB não é mais lida, comentada e interpretada nos cursos de formação de professores? Segundo a lei:

“A educação, dever da família e do Estado, inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, tem por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (LEI n. 9394/96).

Algo que me incomodou profundamente nos comentários recorrentes foi a palavra culpa. A culpa é sempre do professor! Escrevem muitos revoltados. Quando refletimos a respeito de algo não existe a denotação de culpar, mas sim, de compreender a realidade para traçar estratégias de ação. É nítido que professores necessitam de atenção e suporte para a realização do seu trabalho, mas isso não é privilégio só da nossa profissão. Ou os demais profissionais são tão autossuficientes que não necessitam de suporte? A formação continuada, a pesquisa, a troca de experiências, a parceria com áreas afins, os aparatos e recursos. Para sucesso profissional necessitamos de tudo isso constantemente, sejamos professores, médicos, empresários, atores, até mesmo cuidadores do lar. Ninguém faz nada sozinho neste mundo.  E talvez seja este um ponto crucial: o egocentrismo, a falta de humildade em reconhecer que não sabemos tudo, sempre temos algo a aprender. Erramos muitas vezes e aprendemos com os erros. 

Se recebemos alunos (crianças e jovens) sem o amparo da família, sem a base necessária das boas maneiras, das regras de convivência, sem limites, vamos, então deixá-los de lado? Vamos desistir deles? Vamos fechar os olhos para seus problemas e necessidades? Vamos compactuar para que assim permaneçam? 

O desafio de educar não é fácil, exige no mínimo o vislumbrar de uma sociedade mais justa e igualitária. Se em uma turma de 30 alunos conseguirmos mudar a história de vida de um deles já estamos contribuindo com nosso papel social. 

Me incomoda o fato do ideal ser uma turma pacata, obediente, que copia e cola, mas que é incapaz de pensar por si, de criar, de transformar…. 

Me incomoda o fato de não se trabalhar os sentimentos nas escolas, de pouco ouvir os alunos, de não se atentar as suas peculiaridades, seus anseios, medos, sonhos…

Somente os professores podem ser a alavanca das mudanças sociais. Como deixou o legado nosso grande mestre Paulo Freire: “Educação é um ato de amor, por isso um ato de coragem”. E como por uma ironia do destino, o caso que polemizou estes dias ocorreu em uma escola que leva seu nome…. 

Eu ainda acredito no professor! Eu ainda acredito na Educação! Eu ainda acredito no ser humano. E mais ainda nas crianças, pois elas só precisam de orientação segura do adulto, já são despidas de preconceitos, máscaras e sentimentos ruins, elas aprendem isso com os aqueles que convivem, com seus exemplos e suas condutas.  Pensem a respeito! 

 

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