Minha indignação para sua reflexão 21


b782dbfff179639a239c6c3f299c1996Estou perplexa com os comentários sobre o vídeo que mostra um menino de 7 anos quebrando tudo. Comentários estes vindos de professores. O vídeo se tornou popular na internet e demais redes de comunicação nesta quarta-feira, dia 28/10. O caso aconteceu na Escola Municipal Paulo Freire em Macaé. 

Realmente é fácil julgar sem conhecimento de causa. Como as pessoas julgam, condenam, criticam, reclamam, lamentam, mas não admitem sua parcela de responsabilidade. Não saem de suas zonas de conforto para buscar novos caminhos. Chocada com a falta de ética, de profissionalismo, de conhecimento pedagógico e sobretudo de sensibilidade e humanidade. Muito triste de se ver…

Será que a criança tem algum diagnóstico psíquico? É uma atitude recorrente? Percebi um sofrimento nele, uma forma de chamar atenção. E dos profissionais um nervoso, uma forma igualmente agressiva nas falas: “não podemos bater, nem segurar, deixa quebrar tudo. O que faz com um aluno desses? Chama bombeiro? Polícia?”

Na realidade jamais poderiam filmar, se o fizessem seria no intuito de mostrar aos pais e aos profissionais que acompanham a criança,  em nenhuma hipótese postar na rede. A lei determina a preservação da imagem de qualquer criança. 

O fato é que existem muitas informações necessárias para analisar o caso. É errado julgarmos só pelo vídeo. Para analisar uma situação dessas é preciso uma anamnese completa da história escolar e pessoal deste aluno, das intervenções que já foram realizadas, do fato que levou a este ponto. É uma criança pequena que precisa de ajuda. A única certeza que tive ao ver o vídeo. E esta criança nitidamente em sofrimento foi exposta aos mais terríveis comentários de educadores e leigos.

Não ouvi no vídeo nenhuma tentativa de falar carinhosamente, não percebi nas vozes dos adultos uma tentativa de afeto e escuta, ao contrário, pareciam querer instigar para que a criança explodisse cada vez mais e pudessem filmar o “show”. Limite é fundamental, respeito também. Tanto limite quanto o respeito podem ser realizados de forma firme, segura, porém sem agressividade. Li vários profissionais da educação chamando a criança de monstro e de bandido. Ao meu ver, quem encara uma criança desta maneira deve buscar outra forma de trabalho que não seja ligada a educação, a formação de seres humanos. 

Em contrapartida, li um único depoimento sensato na rede – de Érica Paes, professora de Direito da UFRRJ, que assim elucidou:

Quem disse que ele não poderia ser contido pelos profissionais da escola??? Ele deveria ser contido!!!

A interpretação equivocada das disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente pelos e para os profissionais de educação faz com que se faça o que não é permitido – como filmá-lo e divulgar as imagens – e não façam o que deveria ser feito: conter o ataque de fúria do menino e o recolocar em condições de dialogar, informando à família sobre o ocorrido. Não se trata de aplicação de castigos, mas de contenção de atos que poderiam ser prejudiciais a ele mesmo. E isso é absolutamente possível.

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Fica minha opinião para reflexão. Continuarei na luta por uma educação humanizadora, onde o aluno é protagonista e suas histórias de vida são o centro da proposta pedagógica.

É urgente remodelar a escola arcaica, ultrapassada, que permanece educando em pleno século XXI no mesmo estilo do século XIX. Uma escola que padroniza, massifica e não sabe lidar com as diferenças. É o momento de buscar um trabalho pedagógico voltado às competências sócioemocionais, ao resgate de valores, ao que realmente vai transformar a sociedade. Chega de culpas e vitimismos! Em geral as famílias estão desestruturadas e as escolas também. As duas em conjunto devem agir. Simplista a solução de jogar a culpa só nas famílias ou só nas escolas. Uma não consegue nada sem a outra. A sociedade está doente e isso se reflete no altíssimo índice de agressividade. Todos somos responsáveis e podemos trabalhar para aliviar, ameninar o caos instalado. O que as crianças precisam é de adultos menos egoístas e materialistas. Precisam da presença humana. Presença esta que é do pai, mãe, responsável, professor. Aquele que o acolhe, inspira, estimula. Aquele que sabe dar os limites e o encorajar a ir além. Aquele que antes de ser profissional é um ser humano dotado de sentimentos. 

Para ampliar as reflexões assistam ao vídeo produzido por minha equipe para um dos nossos cursos online. Ele é antigo, mas permanece atual e resume muito bem as ideias que, mais uma vez, tento transmitir. 


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21 thoughts on “Minha indignação para sua reflexão

  • Carmela de Souza Tabacco Vieira

    Fiquei indignada com o video e penso como vai ser o futuro de nossas crianças! A falta de amor das pessoas é que infelizmente está causando a destruição da humanidade!

  • Alisson Mesquita

    Quem faz avaliação psicológica é psicólogo, quem julga é juiz. Você tem apenas uma opinião de um recorte da realidade. Ser humilde é calar-se onde os tolos precipitam opiniões vulgares.

    • Rosane

      Quando você diz o que disse da opinião alheia, você está julgando… É calar-se, muitas vezes, é omissão. Você acabou de cometer o que você critica como erro.
      Creio, e sou humilde em dizer que trata-se apenas do que eu acredito, e não uma verdade, que o ideal é sempre pensar antes de falar!!!

      • admin Autor

        Oi Rosane, pode me dizer onde julguei a opinião alheia neste texto? Uma coisa é opinião de um leigo e outra é argumentar o conhecimento pedagógico com um profissional. Gostaria que listasse o trecho a que se refere para que eu possa compreender seu comentário, pois realmente não compreendi.

  • Eliane Brilhante

    Excelente reflexão, realmente a família e a educação estão em um desalinho, uma refletindo na outra. É preciso sim, unimos forças para mudar. Todos estão sofrendo e tornando-se vítima dessa falta de limites, de diálogo, de amor, de ações humanizadoras. Todos temos nossa parcela de culpa. Então, vamos unir forças para uma educação melhor, uma vida melhor. O erro foi expor a criança, rotulá-la. Mas, não esqueçamos que a maioria dos professores estão sozinhos na difícil tarefa de educar e humanizar, nossas crianças e adolescentes.

  • babi

    Bem, a sua ideia de educação libertadora, humanizadora e etc.. É realmente adequada, ms no final das contas vivemos em uma país no qual as pessoas não se importam com valores éticos e morais.. Daí surgem as escolas com um material tecnicista,ideais construtivistas, com leis estapafúrdias e métodos embasados pelo tradicionalismo.. Em fim, hoje dentro das escolas nós temos todo tipo de aluno, cada um com suas particularidades, no entanto estamos frente a frente com uma geração moldada pela libertinagem, pelas ideologias alienadoras, ms já a violência familiar sempre existiu, a diferença é que antes os educadores eram vistos como autoridades dentro das escolas, em meio a um ensino tradicionalíssimo, podia-se usar de autoritarismo, e estava errado, ms temos um sistema q não ampara, não oferece apoio aos que sofrem violencia, apenas criam-se novas leis, lei da “palmada”, lei pr tudo, menos para que ofereçam qualidade na educação, no abrigo de menores, na saúde e etc .. Hoje, nós profissionais da área educacional em meio a isso tudo, nos vemos sem rumo, sem apoio, sem salário, sem voz.. Talvez seja o caso de instituírem novas leis, obrigando os pais a se comprometerem com a integridade moral dos filhos, obrigando-os a agirem de forma adequada com relação a família, daí seria menos um peso dentro das escolas.

  • Michele Batista

    Esse vídeo ee ocomentário a cima me representam, ou seja, expressam o que eu senti ao assistir o tal acontecimento, que não é o primeiro e infelizmente não será o último.
    Estou me formando pedagoga, e diante da rasa experiência adquirida através da observação em estágios, questionou a mim mesma se serei capaz de minimamente mudar alguma coisa, e o que ouvi neste vídeo é que o que deve ser resgatado com urgência é o respeito mútuo pelo ser humano, seja ele quem for.

  • sheila

    Concordo com vc! Inclusive coloquei isso no meu comentário! So estigaram a cr a fazer mais! Nenhum momento vi alguém tentando amenizar os problemas! Tentando fazer a cr acalmar! Vergonhoso!

  • Ana Pontes

    Eu assisti o video e fiquei aterrorizada de ver tamanha falta de respeito com aquela criança…comentei em minha casa a mesma coisa que foi comentanta nesse depoimento…quando assisti o video…também pensei ” porque não conversam com a criança com carinho, tentando acalma-lo…com certeza é algum problema que está acontecendo em sua casa “….fico muito triste quando vejo atitude em escola com as crianças e muitas vezes não podemos fazer nada…ficamos de mãos atadas…as vezes até penso em disistir…mas amo tanto a minha profissão e acredito que ainda vai mudar…pelo o menos fazer a minha parte….vejo profissionais que nem gosta de crianças em sala de aula e ainda tem o prazer e demostrar isso…falam que está ali por dinheiro e olha que ainda reclamam que a categoria ganha pouco…eu acho que o sistema tem que ser mudado…porque se continuar as coisas só vão piorar !!!!

  • Janete

    Concordo plenamente com suas palavras. Fiquei estarrecida ao ver essas imagens e principalmente de ver colegas da área agindo com tanta falta de ética diante de uma situação tão delicada como essa. Tratando como ‘marginal’ praticamente uma criança que em todo tempo demonstrou ali naquele estado em que se encontrava uma maneira de chamar a atenção para dizer que ela não esta bem, que tem algo errado acontecendo em sua vida. E talvez aquela fosse à maneira que esse menino encontrou para pedir ajuda, de fazer um pedido de socorro. E ao invés de ajuda encontrou críticas, e tanta falta de empatia por parte daqueles que deveriam estar ali para acolher, dar atenção e ouvi-lo. Muito triste!!!!

  • Renan Amaral

    Acho correto o que foi falado sim, mas com ressalvas.
    1- Hoje em dia os pais querem passar para a escola o papel fundamental de criação. Criação de pensamento, personalidade, entre outros fatores que são primordiais para o crescimento da criança. E ainda há muitos pais que “enfrentam” a escola quando o aluno é disciplinado ou chamado a atenção. As crianças ficam jogadas ao léu, e somente a escola não tem esse “poder” de criar, pois os nossos professores (muitos preferem até se chamar de pedagogos, visto a tamanha desvalorização do professor) são guerreiros, pois salas com 30 à 40 alunos, é difícil dar atenção a todos, levando em consideração que são várias turmas que o professor da a aula.
    2- O professor hoje está desmotivado. Com várias cargas horárias pra poder sobreviver bem. Mal valorizados e mal visto por muitos, pois o pai e a mãe não corrige e quando a criança se depara com uma pessoa querendo corrigi-lo, ele não aceita, briga, bate, enfrenta o professor, que muitas vezes é tido como o errado pelos pais ainda.
    Ser professor hoje é amar mesmo, pois se for por salários ou benefícios não vale a pena. (https://www.youtube.com/watch?v=GAh2pIjFLgM)
    Pra um país que se diz “PÁTRIA EDUCADORA” há muita coisa errada.
    Termino com uma frase que li que realmente é muito interessante:
    “As nossas escolas são do século XIX, com professores do século XX, e alunos do século XXI” (Prof. José Pacheco, Os Desafios da Educação)

  • Maria de Lourdes Dantas

    Aplausos,fim alguém pensou como eu ,escrevi sobre o vídeo em uma das pagina que curto e fui criticada por ter dado minha opinião de que a criança precisava ter sido tratada de outra forma com um dialogo, com amor,afeto e atenção. e a algumas pessoas me falaram que eu não sabia o que estava dizendo.Sou educadora ensino meus alunos os valores, o respeito e acredito que o dialogo,afeto e amor ,atenção e olhar diferenciado evita muitos transtorno e situações como essa…Parabéns pelo belo texto.

  • patricia

    Também fiquei arrasada quando li comentários de professores á respeito do acontecido. Perderam tempo filmando uma criança em um momento de fúria, fazendo comentários que ligariam para a polícia,os próprios funcionários e professores querendo contê-lo usando a mesma agressividade. Porque não tentaram acalmá-lo pois mais difícil que tivesse, como eu já havia comentado quando postaram esse vídeo a criança é ” Fruto do Meio” ou seja ela estava apenas mostrando que precisa de ajuda!

  • Celydalva

    Uma grande reflexão.Precisamos agir mais em relação a tudo que está acontecendo no nosso país.Ele tornou-se o país da falta de humanidade,onde o egoísmo torna-se exarcebado.Ensinei muitos anos e fico perplexa e até me emociono ao ver os descaminhos que nós adultos estamos construindo para esses jóvens e crianças. Abandonados pelos pais e por toda a sociedade são presas fáceis de marginais que os atraem para o crime. Estamos surdos e mudos,preocupados apenas com o nosso bem -estar. A falta de educação no nosso país,ou a educação precaríssima que está sendo aplicada nas nossas escolas,o descontentamento geral dos professores,o desrespeito dos nossos políticos com o cidadão que lhe paga um excelente salário,a impunidade generalizada,a perda dos valores,fazem com que nossos jóvens fiquem perdidos no meio desse caos e como consequência de tudo é o que assistimos na internet,nas escolas e nas ruas.Não mais podemos nos calar,PARABÉNS!

  • Debora

    Gente,pelo amor de Deus vamos parar de falar palavras difíceis e tentar entender a situação vcs acham mesmo que essa foi a primeira crise que este garotinho teve nessa escola?vcs acham mesmo que os pais já não foram comunicados tantas vezes do ocorrido?E que nenhum dos nossos colegas da imagem tentaram de algumas forma conversar e entender oque se passava com esse garoto em sua família?Oque vcs não entendem é que se um professor tem influência sobre um aluno saibam que um pai ou uma mãe tem mil vezes mais é que quando o professor se depara com uma situação dessas o sentimento é de impotência pois quais recursos o sistema nos dá para recuperar uma criança dessas somente amor e carinho não sao suficiente pois a base já foi contaminada é preciso.muito mais do que bjs e abraços para fazer com que essa criança entenda o quão importante.ela é na sociedade é preciso avaliacao psicológica, acompanhamento especializado e isso custa dinheiro o Brasil e muito grande a realidade de muitas escolas são as piores que se possa imaginar,não estou aqui justificando o fato desse vídeo ter sido exposto de forma tão vulgar quando na verdade deveria ter sido usado para uma avaliacao que em sua essência tivessem a finalidade de resgatar a auto estima dessa criança mas estou aqui para abrir os olhos de vcs é dizer que da mesma forma que vcs enxergaram o.desespero dentro desse menino enxerguem o desespero dentro de muitos profissionais que se vem sozinhos em busca da salvação do.nosso país, onde o sistemas joga em.nossas mãos a responsabilidade de formar cidadãos de bem,transmitir conhecimento às crianças que são o futuro do Brasil sendo que é o setor onde eles menos investem.A desvalorização a Educação vai acabar com oque chamamos de pátria….

    • admin Autor

      Débora, acho que não compreendeu meu texto, pois exatamente me refiro a isso: não podemos julgar o caso sem conhecimento de seu histórico. Não posso afirmar o que fizeram ou não antes, pois desconheço. Só posso refletir e argumentar o que foi exposto – o vídeo em si.
      No segundo artigo comento exatamente a respeito da atenção e suporte que os professores necessitam para realização de seu trabalho. Caso se interesse leia: http://patyfonte.com.br/a-polemica-que-leva-o-pensar-pode-mudar-a-acao/

  • Aurea

    O que desde o primeiro momento é de uma equipe despreparada a atuar na Educação, eles se tinham motivos, perderam todos com tal atitude. Criança aprende com carinho, amor e respeito, e isso eu não vi em nenhum momento do vídeo, o que foi várias pessoas incentivando a fazer ainda mais toda bagunça.

  • Estefny

    Olha, a realidade das escolas é essa, ambas partes estão erradas, país e professores, sou professora, muitas das vezes os pais pensam que o papel das escolas é dar a educação que eles não dão em casa, alunos como esse garoto existem e continuaram vindo, pode ser brigas em casa ou até mesmo falta de os pais corrigir seus filhos e disciplina-los em casa, e coloco na posição dos professores, pois o governo e a sociedade cobra dos professores, quando chega um ponto desse, ficamos perplexos, sem saber o que fazer, pois estamos ali somente como mediadores do conhecimento, acho que a cada ano fica pior, e pra falar a verdade não é culpa da escola e sua equipe gestora, as famílias estão deixando de ser a base na educação dos filhos, e estão deixando pra escola, que por sua vez fica de mãos atadas pois o foco que é aprender se torna um simples empurra empurra!

  • Genilda Rosana

    Com todo o respeito ao seu direito de expressar sua opinião, creio que você apesar de expor uma reflexão válida, necessária e urgente, privilegiou apenas um lado da questão, deixando de lado, o fato que a educação no Brasil hoje está longe de ser a de um passado distante, onde alunos sabiam o significado da palavra respeito e cordialidade, hoje o que encaramos salas de aulas é a inversão dos valores, somos vítimas sim de pequenos ou grandes deliquentes, infelizmente! Tratar a realidade somente nas teorias criadas em confortáveis gabinetes e querer traze-las para um cotidiano baseado apenas no cuspe e giz, me desculpe, mas é mascarar a realidade e praticar aquilo que nossos representantes políticos nos doutrinaram: demagogia… Quero ver você pensar assim depois de ter um dedo quebrado, levar uma chinelada na cara ou uma cadeirada nas costas por tentar manter um aluno em uma sala de aula… sou professora pir ideal, amo o que faço, mas sinceramente está cada dia mais difícil. Preciso receber apoio e ajuda dos pais, da direção escolar, dos políticos, enfim precisamos de condições mínimas para exercermos nosso ofício com dignidade. Precisamos de reconhecimento e respeito e não apenas críticas dos pseudo especialistas em educação que nunca entraram em uma sala de aula na prática. Luz e paz!